"Omnia Vincit Amor"... muitos acreditam ser, esta frase, uma utopia de Virgílio, eu prefiro acreditar que o amor sempre vencerá ou, que pelo menos, irá nos redimir...

daufen bach. in: "fragmentos".

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"dos silêncios que coleciono na noite" - Parte 3

Imagem: Matthew Albanese

I_
os jardins estão espremidos entre o perfume
                                                 e a existência.
no fundo do tempo uma primavera esquecida
                                                                  &
os dedos animais de éter, músculos e ossos
a se contorcerem .

nas ladeiras encobertas de espumas,
uma doçura horrível, melancólica, reluz uma paisagem
                                                   contínua de saudades
que se interpõe à vida e o silêncio compacto de um retrato
devastado por uma alegria que muda de cor.

tento durar pelo tempo, acender para a imortalidade
                                                  de um momento.
enquanto engulo uma drágea de minha Lyrica pela manhã,
enganando minha lúcida epilepsia

antidepressiva Lyrica, falsas portas de uma paz extinta
do sonho que se volatizou numa chama única
fundindo o ardido de teus olhos nas lágrimas
que sempre descem pelo vazio dos dias e das noites.

[impudicos]


impudicos

      ao teu ouvido,
antes de obedecer apenas aos teus pedidos.

o desejo queima mesmo os corações mais castos. é a beleza mais antiga, o
sentido mais primitivo,
     o animal a contorcer-se nas fímbrias do pensamento
no tenso debate entre a liberdade consciente  do sentir, e o poder aprisionado do realizar. esse consumir-se em subjetividades,
                                   esse delicioso pecado,
                                   esse fazer que tornam unos, o profano e o sagrado. que traz para minha pele e para os meus pelos a voracidade de bicho e a
virilidade tacanha do insaciável, banhada nas sensações mais humanas do
sentir, numa luta em te fazer mulher santificada a gemer gozo no bico dos seios arrepiados.

assim te vejo, pura poesia... dama na noite, a estrela guia que toma o céu e ignora os faróis, uma antagonia que me despe do homem perdido em teus lençóis e me faz o animal que te sacia... depois amanhece, com olhos de criança.

'tornei-me o teu homem" [Áudio Poema]



daufen bach.

"dos silêncios que coleciono na noite" - Parte 2


(imagem: Kevin Day. Árvore Morta)

XIV
há uma certa magia nas coisas que acontecem ao acaso
o abstrato das emoções se intensifica e se correlata
.....................................................[com a realidade.
as emoções sempre carregam algo de físico,
das vigílias e dos sonhos
que nunca sabemos ser a causa ou a consequência.

sempre o rubor e o sulco das lágrimas
que vivifica e mistura, à face, o doce e o salgado.